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Ao mar


Ao mar que nos oferece
o marulhar embalador de braçadas húmidas e salgadas
ao mar que nos dá
as criaturas que em si habitam na multiplicidade das cores garridas e saplicadas
ao mar que nos possibilita
a contemplação de cheiros sem fim
ao mar que
por vezes parece ter sido criado, pela natureza, apenas para mim!

Always on my mind



Sinto-me vazia de palavras e no entanto prenhe de pensamentos avassaladores.
Tento manter a calma para não tropeçar nas rasteiras que vão aparecendo e a única coisa que me vai consolando são as lembranças de um outro tempo que agora vão surgindo. E quando as lembranças deste tempo machucam recorro quase inconscientemente àqueles momentos de infância, àquele sitio onde era feliz!
Lembro-me do rosto dela e de todo o seu jeito de movimentar. Lembro-me de correr pela estrada fora numa grande gritaria a chamar: Avó, avó!
Gostava muito de a observar quando fazia os queijos frescos ou quando ia à horta buscar uma couve. Gostava de ir ao seu lado na carroça e de ver as coxas do macho a balançar tranquilamente de um lado para o outro. O cheiro era sempre forte mas com o passar dos anos suavizou e ficou a lembrança enraizada do cheiro a animal.
Sendo uma pessoa humilde e uma pessoa do campo era a pessoa mais doce que conheci. Como tenho saudades dela. Como lamento não ter compreendido o seu sofrimento...
É isto...não consigo/quero/posso explicar melhor!

Sinto-me vazia de palavras...

Por isso vou fazer uma pausa...até ficar como me desejas...bem!

Idiota...


...que eu sou!

Há minutos na vida de uma pessoa que podiam ser rebobinados, metidos numa Tv e serem mostrados aos protagonistas! Só para verem a figura de parvos que fazem
Muitos desses minutos são passados à frente do volante do carro.
Acho que uma pessoa quando entra no carro e se agarra ao volante se transforma...fica outra pessoa. Por vezes o civismo desaparece, nalgumas situações, e o bom senso eclipsa-se noutras.

Eu fui protagonista de um desses minutos!

Já há algum tempo que eu tinha chegado a esta conclusão...que a transformação se dá quando viramos automobilistas. O pior é que reparo na atitude dos outros e eu se provocada faço o mesmo...é triste!

Então...o que aconteceu foi...que cedi ao picanço em plena autoestrada.

Quando vou sozinha no carro e sempre que o posso fazer com segurança...o pé fica mais pesadote no acelerador...aguardo sempre uma distância bem razoável do carro da frente...mas por vezes os carros que vêm atrás não o fazem.

Só me apercebi que vinha no picanço quando o mesmo Toyota de nove lugares passou três vezes por mim e eu passei-lhe outras tantas...achei estranho "ele" com o carro cheio de gente passar-me tantas vezes àquela velocidade e depois reduzir à minha frente...passei-o novamente e decidi aumentar a velocidade para me distanciar...não vou aqui dizer a quanto fui mas fiquei siderada quando vejo o gajo a seguir-me e passar por mim novamente...nessa altura...percebi o que era e tratei de esticar o dedo...mas como grande idiota que sou cedi...alinhei naquela parvoíce!

Quando tive que sair da autoestrada ainda ia a remoer porque "ele" ia a ultrapassar-me e fiquei a pensar se ele julgaria que "ganhou"...depois...caí em mim!

IDIOTA!

Delicadeza


Hoje o dia começou mal. Planeei ir à praia com o gajix e o tempo estava cinzentão. Nuvens negras pairavam sobre mim. Fiquei agarrada ao computador que se recusava a falar comigo. Fez birra ou embirrou comigo. Fartou-se...fartou-se de me ver sempre em frente ao ecrã e a carregar nos botões à espera de uma resposta do outro lado..fartou-se! Fez birra ou embirrou comigo.
O puto não estava bem em lado nenhum...punha-o num lado queria ir para outro...o outro lado também não lhe agradava...chorava no parque, chorava na aranha, chorava na esperguiçadeira...ele queria era andar ao colo...enfim!

Mas...à tarde o céu abriu...e eu decidi...ir pôr o puto à avó e arejar as ideias!

O céu abriu...eu peguei no carro e saí...fui até uma praia da costa..."Kabana do pescador" (?)...tirei os ténis...e enterrei os pés na areia macia. A sensação foi única!

Inalei o ar da praia e avancei até um local onde assentei arraial...o céu estava limpo...vi todas as luzinhas que piscavam e sorri. A delicadeza de um sorriso retribuído fez-me ganhar o dia.
Foram as luzinhas no céu que piscavam...entre o vôo das gaivotas...que me guiaram até à àgua. Tomei um banho e lavei a alma. A delicadeza do sal na minha pele e da areia nos meus pés fizeram-me tomar consciência de que a vida podia ser maravilhosa por momentos...por um pequeno instante...esquecendo as quisilias e as responsabilidades...e por um infimo momento fui agraciada.

Há momentos que ficam registados como únicos tal é a delicadeza do toque!