A Agrura do passado no presente

 (continuação do post anterior)








Mas depois temos também o "verso da medalha"...o choque que se apodera de nós...o desgosto que ficou adiado para o "agora"-o momento a noticia-, de quem nos lembramos das conversas, sorrisos e risos que fizemos lá bem atrás.

Refrescamos a memória do seu rosto (adolescente porque nunca mais o vimos noutra idade) apenas com uma fotografia a preto e branco, que sorri para o fotógrafo com a inocência da idade e com a perspetiva de que o futuro seria tão bom/longo como o dos outros...

...mas que infelizmente jamais a poderemos contatar por facebook ou outra via qualquer. RIP!

A emoção do passado no presente





É muito engraçado, extremamente emocionante, que depois de tantos anos passados consigamos agora encontrar um rasto de (alguns) colegas já há muito perdidos...viva o facebook!



e podermos conversar com eles...coff coff... puxar por eles para conversarem connosco (alguns são...por falta de melhor palavra "tímidos" ou..."ocupados").


e com alguma sorte fazermos comparação do que foi, do que sonhámos e do que é!!!!


Trocarmos as frases que dissemos uns aos outros...nalgumas situações...em por vezes, o outro lado não se lembra (porque não deu importância)...

e do:

-"lembras-te do que o fulano disse à professora de filosofia?"
-"Não!"
-"Então disse-lhe tal e coiso!'!"
-"Ahhh pois foi, ela não percebeu o que ele quis dizer e mandou-o para a Rua!"
-"pois foi" Onde andará ele Agora?
- "não sei. Nunca mais o vi! Mas ouvi dizer que foi para Coimbra e casou-se por lá"
- "e lembras-te de..."
(...)

 Nota: No ano letivo de1988/1989 eu, numero 5, frequentava o 11ºC. 



Conversas perfeitas ao sabor dos matesers


Lembras-te do que fazíamos?
Uma desafiava sempre a outra e a gula falava sempre mais alto (pelo menos no meu caso que não era preciso muito insistência...nenhuma mesmo).


Nem era bem a gula...era mais o que partilhávamos...

Daqui para a loja íamos a conversar...banalidades que, só a nós, nos divertia, de fio de lã ao pescoço e agulhas imaginárias em riste e lá íamos a tricotar ( e se tu tinhas jeito para a coisa- adorei a mantinha que fizeste) e da loja para cá...quem precisava de palavras?

Vínhamos com a boca cheia (eu vinha - tu eras mais comedida e tiravas um a um enquanto eu era logo uns três ou quatro) a saborear o momento.



Eu rasgava o saco dos malteseres (como só eu era mestra em fazê-lo) e começávamos a caminhar com o com o  saco no meio de nós...e ficávamos com os dedos todos peganhosos (eu, era mais a mão)...

Pensava eu: Se tenho os dedos sujos já sei que vou sujar a camisola, é certinho direitinho! - sorria para ti e dizia em voz alta: Camisola coiso (eu exprimia-me quase com urros e achava que pôr sempre a palavra coiso ou coisa no final que toda a gente compreendia...)

Tu pensavas: Antes que isso aconteça chupa melhor os dedos...e dizias em voz alta: - só se deixares!

Eu pensava: Sou uma desastrada, mesmo que chupe os dedos antes arranjarei maneira de sujar a camisola, nem que seja com baba!
e dizia em voz alta: é cármico!

e pensavas tu: Se tiveres cuidado não te sujas, minha porca!...e dizias em voz alta: -Não tens remédio! 

Eu ria-me e saltavam-me gafanhotos castanhos pela boca e pelo nariz. Já sabia que me tinha chamado "minha porca" em pensamento! E tu rias-te por veres que eu estava com o nariz cheio de ranho castanho.


E era assim. Em sintonia. Conversas perfeitas (do meu ponto de vista) que nunca foram faladas.