
Este ano não tinha nada de especial programado para a passagem de ano. Por isso, combinei com a minha irmã, que veio da Suiça passar o Natal e o Ano Novo, uma jantarada na minha casa. Convidámos os pais e sogros e entre espirros e assoadelas, ralhetes aos cães (3) e gu-gu/ga-ga do gajix a coisa passou-se bem! A mesa, mais uma vez, estava replecta de iguarias para a ocasião, Leitão, gambas, não sei o quê au jambom (prato suiço). Comeu-se e bebeu-se bem!Pelas 21.30 horas já se tinha acabado de jantar pelas 22h anunciaram-se os primeiros desistentes. Os meus pais com sono foram-se embora. Andámos com o puto ao colo (a gracinha da casa) e mais gu-gu/ga-ga pelas 22.15 os meus sogros proclamaram a sua desistência. Nós ganhando consciência de que íamos ficar os quatro a "olhar" para a TV decidimos irmos a Lisboa ver o fogo de artíficio. O puto foi "entregue" aos sogros e ala moço que aí fomos nós, todos contentinhos. Pelo caminho ponderámos quais as nossas opções e entre Belém, Parque das Nações e o Terreiro do Paço...imaginem qual escolhemos ;-). Terreiro do Paço :).
Mal imaginávamos nós que a decisão não seria a melhor...
Conseguimos estacionar o carro relativamente perto (do Hard Rock café) e fomos a pé até ao nosso destino. Faltavam cerca de 10 minutos para a meia noite quando conseguimos passar um dos arcos e ficámos por ali. Eu queria arranjar um lugar melhor mas mais ninguém quis avançar por isso ficámos mais ou menos por trás do palco, ou seja, não víamos o palco mas podíamos ver um dos ecrãs gigantes....se não fosse...uma porcaria de uma faixa (a reivindicar salários iguais)...comecei a pensar que a coisa não estava a correr pelo melhor mas não desmoralizei. Via o ecrã cortado pela metade e bem ou mal lá vi o final do espectáculo de tambores (fiquei com pena de não ter visto mais). Perto do palco começaram a sair foguetes que "avisavam" que a passagem estava a aproximar-se e houve uns parvalhões que para além de começarem no "jogo" do empura empurra se lembraram de abrir uma lata de fumo vermelho, ora, para além do cheiro e da interferência na garganta ficámos um minuto sem ver quase nada...
Mais uns foguetes...os que anunciavam os segundo finais. O foguetes acabaram e por 2 segundos (e é esta parte que eu mais aprecio) ouviu-se todas as pessoas em manifestação de alegria aos gritos, aos assobios...as garrafas a fazerem Poc, o pessoal a comer as passas e a cumprimentarem-se para o novo ano. E começou o verdadeiro fogo de artificio.
Infelizmente passados un 5 minutos de fogo um parvalhão qualquer lembrou-se de abrir outra lata de fumo vermelho mas desta vez o fumo era mais intenso (provavelmente abriram duas) e as pessoas que ali estavam começaram a afastar-se (não se podia respirar). Comecei a ficar de mau humor porque queria ver o fogo até ao fim mas também eu tive que me afastar que o cheiro entrava insuportavelmente pelas narinas. (ah esqueci-me de mencionar que eu tenho uma certa fobia por multidões, irónico não é? mas o que fazer? A imaginação por vezes leva-me a melhor). A minha irmã toma o rumo do arco por onde tinhamos chegado e era minha intenção segui-la mas as pessoas que se queriam afastar daquele fumo puseram-se entre mim e ela e eu desviei-me daquela "corrente" e fiquei à espera que a maioria passasse para eu os seguir. Só que a maioria nunca mais acabava e quando dei pela minha irmã ia ela rodeada de pessoas que a "transportaram" dali para fora. Eu resmunguei contra os parvalhões e fiquei num cantinho a ver o resto do espectáculo no céu de Lisboa, entretanto já o fumo se tinha dissipado. Quando acabou...ficou tudo louco...parecia que o mundo inteiro queria passar por debaixo daquele arco...eu que tinha começado também a movimentar-me para sair...comecei a entrar em parafuso com a imaginação a levar-me a melhor. E o que foi que me veio logo à cabeça? A largada de touros em Pamplona.
Bom...consegui arrastar-me até à parede do arco para ficar sossegada e deixar toda aquela gente passar...erro...erro crasso...vi gente a ser "transportada", nem sei se alguns conseguiam tocar com os pés no chão e o pessoal a apertar cada vez mais...para a parede...houve uma gaja que se encostou a mim e deve ter adormecido por um minuto ou dois no meu ombro...eu que gosto imenso de encostos...ppffffff....mas nem me mexi não quis pertubar o sono dela...pelo menos não me babou...já não foi mau!
Com tanto aperto começa a imaginação a trabalhar...a primeira coisa que pensei é que ia ficar esmagadinha contra a parede...tipo crepe...depois vejo um homem de turbante passar e penso que se alguém nalquele momento se lembrasse de se fazer explodir...uiiiiii...abriria buraco e eu...faria parte dele... a seguir passa um gajo aos gritos e...parecia-me a mim... complectamente bêbado...ai vida...começo a pensar em brigas, facadas e tiros...aiiiii. Depois encosta-se um chinoca (bem giro) à minha frente, tranquilo, que pelos vistos também resolveu deixar a multidão passar...e eu pensei...fixe...vai servir de protecção...isto tudo enquanto a outra cochilava no meu ombro direito e o meu gajo estava atrelado à minha mão esquerda...e aconteceu... aconteceu uma das coisas que anteriormente não tinha passado de imaginação.
Um gajo que devia ter os seus 16 anos, que já ia tocado, começa a implicar/reagir (não vi como começou porque estava embrenhada nos meus pensamentos) com um grupo de brasileiros (que estavam a fumar erva) que também estavam encostados à parede e começam no empurra, no encontrão, na discussão...e eu no meio...de olhos arregalados a tremer que nem varas verdes...e pregada ao chão...
O meu protector (o chinoca) desapareceu num ápice, a rapariga acordou e desopilou, o meu gajo a puxar-me ainda mais para ele... e eu...cheia de adrenalina mas pregada ao chão a ver o rapazola a esbracejar e os outros a responderem (murros, pontapés, puxões). De repente fez-se um clik...[com o som de uma garrafa a partir-se e como nem a vi voar nem nada (e afinal, segundo o meu gajo, parece que nem voou) pensei que estivesse tão "cega" que era hora de tomar uma atitude não fosse começar a haver naifadas de vidro] e depois de um puxão bem dado pelo gajo sou eu que o puxo atrás de mim e lá me consegui safar também (a custo porque a multidão fluiu toda para um lado e eu ia pela bordinha encostada à briga) daquela cena.
Bom não há dúvida que foi uma entrada diferente mas será um mau agouro? Será que este ano vai ser replecto de brigas, discussões e encontrões, naifadas, navalhadas e tiros?
Ou que pelo contrário...O agouro será de muita adrenalina e de resultados airosos (afinal saí de lá ilesa ;)).
Bom ano 2007.
Ps:Quando caminhava de volta para carro passaram umas quatro ambulâncias do INEM...saímos de lá a tempo! Quando cheguei ao carro já a minha irmã e cunhado lá estavam sãos e salvos mas ao que parece quando eles foram arrastados/transportados os bolsos eclair dos casacos foram todos abertos... por sorte e como convém nestas ocasiões... iam vazios ;). Leva-me a concluir que o primeiro arrasto foi deliberadamente provocado...para o assalto.